Por que voltar a empreender depois de um exit?
Uma das perguntas mais estranhas que comecei a receber depois da aquisição da Conpass foi:
“Por que voltar a empreender ou continuar trabalhando?”
Depois de um exit bem-sucedido e de uma aposentadoria financeira possível, não seria melhor apenas aproveitar a vida?
Eu entendo a pergunta.
Mas ela parte de uma premissa que não faz sentido para mim.
Porque ela assume que empreender e aproveitar a vida são coisas incompatíveis.
E, olhando para minha própria trajetória, isso está longe de ser verdade.
Construir empresas não é renunciar à vida.
É parte dela.
Mesmo com desequilíbrios.
Nos últimos anos, conheci 26 países, escalei montanhas na Bolívia, no Equador e na Argentina, completei Ironman e vivi experiências que jamais imaginei.
Também tenho saúde, uma família que amo e a alegria de ser pai da Ceci.
Ou seja: continuar construindo empresas não é, para mim, o oposto de viver.
É uma das formas mais intensas de viver.
A natureza de construir
Uma macieira não questiona sua natureza de produzir maçãs.
Ela simplesmente produz.
Porque aquilo faz parte do que ela é.
Empreender, para mim, tem algo parecido.
Não é apenas trabalho.
Não é apenas dinheiro.
Não é apenas ambição.
É uma forma de servir a sociedade pelo fruto do meu trabalho.
É também uma forma de me lapidar como ser humano, colocando minhas virtudes, meus valores e meu caráter à prova.
Empreender exige coragem.
Exige disciplina.
Exige resiliência.
Exige responsabilidade diante da realidade.
Exige lidar com incerteza, pressão, risco e consequência.
Por isso, quando me perguntam por que voltar, a resposta mais honesta é:
porque construir faz parte da minha natureza.
Parar no auge me pareceria estranho
Parar agora me pareceria estranho.
Seria como um músico emplacar seu primeiro grande hit e se aposentar logo depois.
Ou como um jogador ganhar um campeonato importante e parar justo no auge.
É claro que existem meios-termos.
Depois da Conpass, atuei como conselheiro, trabalhei com mentoria e construí a Nova Stoa.
Poderia ter seguido por um caminho menor, mais leve e com menos risco.
Mas, aos poucos, comecei a sentir que estava me “nerfando”.
Entregando deliberadamente menos do que poderia entregar.
E isso me parecia antinatural.
Menos vivo.
Menos realizador.
Pessoas realizadoras seguem realizando
Quem já escalou uma montanha ou cruzou uma prova difícil sabe:
o impulso natural não é parar por aí.
É buscar novos desafios.
Talvez por isso tantos empreendedores, artistas e atletas sigam produzindo mesmo depois de conquistarem muito mais do que precisariam financeiramente.
Não é falta de dinheiro.
Pessoas realizadoras seguem realizando.
A questão não é trabalhar por necessidade.
É trabalhar por natureza.
Para algumas pessoas, descanso é o objetivo final.
Para outras, descanso é recuperação para continuar construindo.
Eu respeito profundamente quem, depois de uma jornada dura, prefere descansar.
Empreender exige muito.
Às vezes exige mais do que deveria.
Mas, para mim, descanso faz sentido como recuperação.
Não como renúncia ao que ainda posso construir.
O que a Conpass me ensinou
Se a Conpass teve algum sucesso, seguramente ele foi menor do que aquilo que hoje, com mais experiência, repertório e maturidade, talvez seja possível criar.
Na Conpass, impactamos mais de 45 milhões de pessoas.
Criamos mercado.
Formamos pessoas.
Construímos algo que deixou marca.
Mas também aprendi muito.
Aprendi sobre vendas.
Produto.
Marketing.
Atendimento.
Gestão.
Cultura.
Liderança.
Execução.
Contratação.
Demissão.
Caixa.
Crises.
Reputação.
A primeira empresa foi uma escola dura.
Mas foi uma escola completa.
E seria estranho, depois de aprender tanto, decidir que o melhor uso desse repertório seria simplesmente parar.
A AGATON nasce dessa nova fase
Na AGATON, vejo uma nova categoria surgindo.
Vejo a chance de transformar como líderes gerem pessoas, performance, desenvolvimento e execução.
Vejo um novo momento de mercado.
Uma nova geração de empresas nativas em IA.
Uma oportunidade de criar uma camada mais inteligente para ajudar empresas a enxergarem melhor seus líderes, seus times, seus acordos, seus riscos e suas decisões.
A AGATON não nasce da mesma forma que a Conpass nasceu.
Ela nasce com mais experiência.
Mais repertório.
Mais clareza.
Mais consciência sobre o tipo de empresa que quero construir.
Mais maturidade sobre o tipo de problema que quero resolver.
E também mais responsabilidade.
Porque, depois de uma primeira jornada empreendedora, você não volta a construir do mesmo lugar.
Volta carregando aprendizados, cicatrizes, relações, reputação e uma visão mais clara sobre onde quer colocar sua energia.
A pergunta certa
No fim, talvez a pergunta não seja:
“Por que voltar a empreender?”
Talvez seja:
“Se ainda tenho saúde, família, energia e possibilidades de gerar valor, por que parar agora?”
Essa pergunta resume melhor o que sinto.
Não estou voltando a empreender por falta de opção.
Estou voltando porque ainda há muito a construir.
Porque criar empresas é uma forma de servir.
Porque gerar impacto é uma forma de realização.
Porque o trabalho, quando conectado à natureza de quem somos, deixa de ser apenas obrigação.
E passa a ser expressão.
Para mim, empreender é isso.
Uma forma de produzir frutos.
Enquanto a árvore ainda está viva, forte e em plena estação.


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